
O ano é 2000 e o brilhante trio londrino de nome Placebo lança seu terceiro álbum. Foram nove meses de árduo trabalho para gravar o disco (é o álbum que a banda mais demorou para concluir), que é dedicado a um publicitário, Scott Piering. A formação da banda é a mesma do trabalho anterior, contando com o produtor Paul Corkett.
Black Market Music, que saiu do forno em outubro do ano citado, é um bom álbum, ainda que possa ser considerado o mais fraco da banda se comparado com os demais discos. Músicas geniais e merecedoras do adjetivo "clássicas" como Taste In Man, Special K e Blue American encontram-se ao lado de músicas não mais do que decentes, como Slave to the Wage e Haemeglobin. Um dos grandes destaques dessa obra é a qualidade sonora de todos os instrumentos e da voz de Brian Molko. Tudo soa muito nítido e equilibrado.
Taste In Man abre BMM bem ao estilo adotado pela banda em Without You I'm Nothing. O instrumental é impecável, muito bem gravado e arranjado. Brian Molko canta com as características que sempre lhe são atribuídas. Uma excelente escolha para primeira faixa, bem empolgante e inteligente.
Days Before You Came é uma pancadaria genial. Brilhante o riff de guitarra dessa música. A bateria é forte e rápida (de Steve Hewitt), casando bem com o baixo de Stefan. A letra é, como sempre, impecável. Uma das maiores qualidades desse álbum (e do Placebo como um todo) são as letras, sem dúvida alguma. Days Before... tem um refrão muito bom e se fosse só por essa música, o álbum já valeria a audição.
Para fechar a tríade de abertura, vem a incrível Special K. Um acorde genial sai de um violão pelas mãos de Brian, logo sendo companhado pelo resto da banda e, então, substituído pelo peso de uma guitarra. Se a faixa anterior tem um instrumental impecável, Special K a supera. E o que falar da letra (dorgas, mano), da voz (linda) de Brian, do refrão (de fazer muita gente chorar nos shows) e do viciante "parapapa parara-rá" repetido muitas vezes durante a música? É uma das melhores músicas da banda, incontestavelmente.
Spite & Malice é o ponto mais baixo do álbum. Não é uma música exatamente ruim. As ideias apresentadas aqui têm sim sua validade, mas a simples inclusão de rap no refrão desanima um pouco. Muitas pessoas podem gostar da música assim como outras irão odiá-la.
Passive Agressive faz a qualidade voltar ao ponto máximo. É mais uma daquelas músicas tristes que só o Placebo consegue fazer. Letra linda e arranjos marcantes. A guitarra melancólica canta de forma incomparável no começo da canção. E tudo se encaixa no refrão, mais animado do ponto de vista instrumental. Uma música completa. Linda.
Black Eyed é uma boa composição. O riff de guitarra é bastante interessante e a bateria se destaca bastante. Vale dar uma conferida, principalmente no refrão.
Blue American é quase uma irmã de Passive Agressive, não fosse por ela ser menos animada e mais triste do que esta. O grande destaque é, certamente, a letra e a forma como a banda a interpreta (em especial como Brian canta). "I wrote this novel just for you. It sounds pretentious, but it's true. I wrote this novel just for you, that's why it's vulgar. That's why it's blue" é o suficiente para prender a atenção. E o instrumental? Perfeito.
"And I say thank you, thank you". Genial.
Slave to The Wedge traz o ar de animação de volta. É uma boa canção, sem nada de muito espetacular fora o refrão.
Commercial For Levi é uma das melhores do álbum. Tem um ar todo "fofo" e bonitinho. O instrumental é delicado e muito criativo. A música é para um rapaz chamado Levi, que salvou Brian quando ele estava bêbado e ia em direção ao trânsito. Muito boa, tanto musical quanto liricamente.
A barulhenta Haemeglobin vem em seguida. Outra música decente, mas que não chama tanta atenção.
Narcoleptic vem da "família das melancólicas". Como de costume, é uma música bonita e muito interessante. É muito valiosa a interpretação de Molko, que canta num tom mais alegre do que o que o instrumental sugere, criando um excelente contraste.
Peeping Tom fecha o álbum merecendo a denominação de "uma das melhores". Piano, bateria, baixo, programação, vocal, letra... tudo combina perfeitamente. A música começa bem lenta e cresce aos poucos, tornando-se incrivelmente marcante.
Enfim, Black Market Music é um bom álbum, bem acima da média. Pode ser o mais fraco da banda, mas tem músicas que simplesmente valem muito mais do que as que não brilham tanto.
Nota: 7 de 10






