"You come on just like special k"

segunda-feira, 27 de setembro de 2010


O ano é 2000 e o brilhante trio londrino de nome Placebo lança seu terceiro álbum. Foram nove meses de árduo trabalho para gravar o disco (é o álbum que a banda mais demorou para concluir), que é dedicado a um publicitário, Scott Piering. A formação da banda é a mesma do trabalho anterior, contando com o produtor Paul Corkett.

Black Market Music, que saiu do forno em outubro do ano citado, é um bom álbum, ainda que possa ser considerado o mais fraco da banda se comparado com os demais discos. Músicas geniais e merecedoras do adjetivo "clássicas" como Taste In Man, Special K e Blue American encontram-se ao lado de músicas não mais do que decentes, como Slave to the Wage e Haemeglobin. Um dos grandes destaques dessa obra é a qualidade sonora de todos os instrumentos e da voz de Brian Molko. Tudo soa muito nítido e equilibrado.

Taste In Man abre BMM bem ao estilo adotado pela banda em Without You I'm Nothing. O instrumental é impecável, muito bem gravado e arranjado. Brian Molko canta com as características que sempre lhe são atribuídas. Uma excelente escolha para primeira faixa, bem empolgante e inteligente.

Days Before You Came é uma pancadaria genial. Brilhante o riff de guitarra dessa música. A bateria é forte e rápida (de Steve Hewitt), casando bem com o baixo de Stefan. A letra é, como sempre, impecável. Uma das maiores qualidades desse álbum (e do Placebo como um todo) são as letras, sem dúvida alguma. Days Before... tem um refrão muito bom e se fosse só por essa música, o álbum já valeria a audição.

Para fechar a tríade de abertura, vem a incrível Special K. Um acorde genial sai de um violão pelas mãos de Brian, logo sendo companhado pelo resto da banda e, então, substituído pelo peso de uma guitarra. Se a faixa anterior tem um instrumental impecável, Special K a supera. E o que falar da letra (dorgas, mano), da voz (linda) de Brian, do refrão (de fazer muita gente chorar nos shows) e do viciante "parapapa parara-rá" repetido muitas vezes durante a música? É uma das melhores músicas da banda, incontestavelmente.

Spite & Malice é o ponto mais baixo do álbum. Não é uma música exatamente ruim. As ideias apresentadas aqui têm sim sua validade, mas a simples inclusão de rap no refrão desanima um pouco. Muitas pessoas podem gostar da música assim como outras irão odiá-la.

Passive Agressive faz a qualidade voltar ao ponto máximo. É mais uma daquelas músicas tristes que só o Placebo consegue fazer. Letra linda e arranjos marcantes. A guitarra melancólica canta de forma incomparável no começo da canção. E tudo se encaixa no refrão, mais animado do ponto de vista instrumental. Uma música completa. Linda.

Black Eyed é uma boa composição. O riff de guitarra é bastante interessante e a bateria se destaca bastante. Vale dar uma conferida, principalmente no refrão.
Blue American é quase uma irmã de Passive Agressive, não fosse por ela ser menos animada e mais triste do que esta. O grande destaque é, certamente, a letra e a forma como a banda a interpreta (em especial como Brian canta). "I wrote this novel just for you. It sounds pretentious, but it's true. I wrote this novel just for you, that's why it's vulgar. That's why it's blue" é o suficiente para prender a atenção. E o instrumental? Perfeito.
"And I say thank you, thank you". Genial.

Slave to The Wedge traz o ar de animação de volta. É uma boa canção, sem nada de muito espetacular fora o refrão.
Commercial For Levi é uma das melhores do álbum. Tem um ar todo "fofo" e bonitinho. O instrumental é delicado e muito criativo. A música é para um rapaz chamado Levi, que salvou Brian quando ele estava bêbado e ia em direção ao trânsito. Muito boa, tanto musical quanto liricamente.

A barulhenta Haemeglobin vem em seguida. Outra música decente, mas que não chama tanta atenção.
Narcoleptic vem da "família das melancólicas". Como de costume, é uma música bonita e muito interessante. É muito valiosa a interpretação de Molko, que canta num tom mais alegre do que o que o instrumental sugere, criando um excelente contraste.

Peeping Tom fecha o álbum merecendo a denominação de "uma das melhores". Piano, bateria, baixo, programação, vocal, letra... tudo combina perfeitamente. A música começa bem lenta e cresce aos poucos, tornando-se incrivelmente marcante.

Enfim, Black Market Music é um bom álbum, bem acima da média. Pode ser o mais fraco da banda, mas tem músicas que simplesmente valem muito mais do que as que não brilham tanto.

Nota: 7 de 10

"Because there's nothing else to do, every me and every you"

segunda-feira, 20 de setembro de 2010


Em outubro de 1998 a banda multi-nacional Placebo lança aquele que é o primeiro de seus álbuns a fazer um considerável sucesso no mercado norte-americano, Without You I'm Nothing. É também o primeiro gravado pelo bom baterista Steve Hewitt.
Brian Molko (vocalista, guitarrista) costuma dizer que esse álbum foi difícil de gravar. A química entre a banda e o produtor, Steve Osbone, não foi das melhores. Porém, o resultado é de um álbum excelente. Molko acha que há músicas lentas demais para um segundo disco, mas a banda toda tem orgulho do resultado. E não é pra menos.

Pure Morning abre o disco com um riff de guitarra que se repete ao longo da música, dando uma base sólida a ela. A bateria de Steve Hewitt é um dos grandes destaques da canção, certeira e interessante. O instrumental e os arranjos bem escolhidos, assim como a letra e a voz de Brian justificam o sucesso dessa música naquela época. Uma pena que a banda não costume tocá-la mais.

Brick Shithouse traz um espírito mais puxado do primeiro disco do grupo. É uma música rápida, empolgante e com guitarra, baixo (de Stefan Oldsdal) e bateria casando perfeitamente. Brian, novamente, canta com seu jeito único e sensacional. Uma grande música.

You Don't Care About Us segue a mesma linha da anterior, rápida e com ótimos riffs de guitarra. Um destaque instrumental é a bateria de Steve, que se mostra bastante criativa. O refrão dessa música é um dos melhores do álbum, sem dúvida alguma.

Ask For Answers é a primeira das músicas "tristes" do álbum. Os acordes que Brian toca, acompanhados pelo baixo melancólico de Stefan e a bateria meio arrastada de Steve são nada menos do que memoráveis. Molko canta uma letra bonita, com melodias tristes e belas. Uma música linda, de fato.

Tiro o chapéu para Without You I'm Nothing. Genial em todos os aspectos. É viciante desde o instrumental triste até a voz dolorosa de Brian. Uma grande e incrível interpretação da banda toda. Vale destacar a dinâmica da música, que começa lenta e leve (apesar da melancolia) e fica pesada e forte no refrão. Uma obra-prima do Placebo.

Allergic (To Thoughts of Mother Earth) é uma das minhas preferidas do álbum. Impecável no instrumental (e que baixo pulsante, hein, Stefan?) e com um refrão brilhante. É uma das melhores coisas que a banda já escreveu.

The Crawl é parecida com Ask For Answers: triste mas bela. Não há muito o que comentar uma vez que as estruturas das duas são parecidas. Ah, talvez The Crawl seja a música mais triste do álbum devido ao seu piano baixo e "moribundo" (que não é ruim!). Destaque para a letra inteligente.

Every You Every Me é a melhor música do álbum. Rápida, certeira e mais feliz do que o resto do trabalho. Tem um dos melhores e mais característicos riffs que Brian já compôs. Stefan e Steve também acertam em cheio em seus respectivos instrumentos. Simplesmente uma música digna de um gênio: simples e linda.

My Sweet Prince tem história. Se eu pudesse dizer com simples palavras tudo o que essa música me faz sentir, ela não seria tão importante, tão marcante. É perfeita e tem uma sensibildade que poucos sentirão (aliás, pouca gente entende a banda, talvez por isso ela não faça taaanto sucesso fora da Europa...). "So before I end my day, remember: my sweet prince, you are the one".

Summer's Gone traz uma melancolia um pouco diferente. Acho que essa música é um pouco difícil de entender, mas ainda assim é bonita. Bom instrumental, boa letra e impecável voz, como sempre.

Scared of Girls é a música mais pesada do álbum. Um grande rock, sem dúvida alguma. Destaque para os arranjos e para a interpretação de Molko. Vale lembrar que a letra tem um tema que envolve introversão/extroversão, já abordado pela banda no primeiro álbum.

Burger Queen fecha o álbum da forma mais triste que há. Impossível não sentir dó da personagem que Brian criou na letra. Impossível não se sentir sensibilizado pelo instrumental da música. Impossível não se apaixonar pela música como um todo.
Aos 15 minutos de Burger Queen começa a tocar uma "faixa escondida", a interessante Evil Dildo (o_o). Uma curiosidade sobre a música é que as vozes ouvidas nela são tiradas da secretária eletrônica de Brian Molko. Vale a pena dar uma conferida.

WYIN, enfim, trata-se de um álbum bonito, mais lento e mais leve do que o debut da banda. São necessárias algumas audições para "entrar dentro dele", mas tão logo isso aconteça, não dá para não se apaixonar pela arte da banda. O trio faz um som único e incomparável. Merece muito mais atenção do que normalmente dão a ele.

nota: 10 de 10.

"Since that I was born I started to decay"

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Placebo é uma banda extremamente brilhante e competente. Daquelas que não precisam de milhões de solos de guitarra malucos para provar que é boa. E muito menos de exibicionismos. Cheia de temas interessantes como drogas, amor, vida, humanidade e tantos outros, o trio formado na Inglaterra marca a história da música como um dos mais originais e de som mais único que já pisaram na terra. .

Formada pelo brilhante, ácido, inteligente e carismático vocalista, guitarrista, compositor e dono de sacadas geniais para letras e arranjos, Brian Molko; pelo gigante baixista/guitarrista (sim, o cara domina ambos) e dono de uma presença de palco porra-louca, Stefan Oldstal e pelo bom baterista Robert Schultzberg (que só gravou esse debut, sendo substituído por Steve Hewitt não muito tempo depois), Placebo mostra-se como uma banda multi-talentosa e multi-nacional (Brian é belga, Stefan é sueco e Robert é suíço). É admirável o talento de todos que tocam e que já tocaram na banda. Todos muito inteligentes e de cabeça aberta (afinal, Stefan é gay e Brian é bissexual).

O som dos rapazes é bastante mutante, apresentando sempre algo a mais conforme os álbuns vão saindo e os anos, passando. Exemplo dessa mutabilidade (saudável) é o som mais puxado para o punk desse Placebo (álbum) que fica "esquecido" no dark e profundo Meds. Mas vamos falar do primeiro disco, de 16 de Julho de 1996.

Com um estilo que lembra o Sonic Youth, a banda abre o álbum auto-intitulado com Come Home, uma rápida, agressiva, pesada e animada faixa de abertura. É uma das melhores do álbum, com riffs bem sacados e bateria e baixo fortes e característicos. Brian Molko é dono de uma voz inconfundível e bela, embora muitas pessoas acabem estranhando-a no começo. A habilidade do líder da banda de tocar guitarra, compor e cantar é coisa de outro mundo. Ah, o refrão dessa música é viciante.

Teenage Angst é um pouco mais calma do que Come Home, mas tem o mesmo espírito forte dela. O refrão e os arranjos bem colocados fazem com que a música seja muito interessante e indispensável para o álbum.
Bionic começa com o baixo de Stefan, sempre importante para o som do Placebo. Logo vêm uma bateria e uma guitarra cortantes, que são agraciados com a voz raivosa de Brian.
36 Degrees é mais rápida e agressiva, assim como Come Home. Empolgante e com sacadas brilhantes na letra e nas ideias dos arranjos, é uma das melhores do debut.

Hang On To Your IQ traz um pouco de calma ao álbum, provando que mesmo no primeiro álbum os caras já sabem variar nas músicas. Muito bonita e inteligente.
Nancy Boy é famosa. Começa barulhenta e com um andamento meio arrastado, o que é muito interessante. Refrão excelente, pesado e grudento, é uma das melhores músicas que a banda já compôs. Vale lembrar que Nancy Boy é praticamente um estilo que o Brian tem.

I Know é linda e lírica. Acordes e arranjos de violão bem escolhidos. Letra bonita e interpretação incomparáveis do vocalista. A partir da parte em que o resto da banda começa a tocar, I Know fica inacreditavelmente viciante. Linda e perfeita.

Bruise Pristine tem um riff e um peso característicos. Seu espírito mais punk vem de todos os lados. Uma música genial, sem dúvidas. Ah, o riff do refrão é uma prova do brilhantismo do Brian.
Lady Of The Flowers tem um ar melancólico e lírico. É uma das músicas mais bonitas da primeira "leva de composições" da banda. Impossível não se apaixonar pelas notas tocadas aqui.
Swallow e Hong Kong Farewell (HK Farewell) fecham o álbum de maneira praticamente instrumental. São músicas para se viajar e relaxar, sem pensar em nada. Placebo é bastante versátil, ponto.

Esse é, na opinião de muitos, um álbum que merece destaque na categoria "álbuns de estreia impressionantes", e eu a compartilho. Trata-se de um disco único na carreira do trio e é cheio de composições inteligentes e bem escritas. Merece muita atenção, assim como o Placebo e sua discografia como um todo.
É, os realmente bons não precisam de exibicionismo.

Nota: 9 de 10

"Love is our resistance"

domingo, 5 de setembro de 2010



Um álbum que vendeu mais de 3 milhões de cópias até agora. Superou em pouco tempo todo o sucesso de Black Holes and Revelations e, ainda por cima, fez juz à definição de "banda de estádio" e mais do que isso: de "banda espacial". Sim, porque desde a capa até a última nota de Exogenesis, o que vemos e ouvimos é algo de outro planeta.

The Resistance foi lançado em 14 de Setembro de 2009, quase um ano atrás. É o primeiro álbum a ser produzido totalmente pelo trio britânico e a ser mixado por Mark Stent (Marilyn Manson, Björk, U2 e Oasis). É um álbum brilhante, com uma atmosfera totalmente de outro mundo, de letras inteligentes e músicas viciantes. É certo que o álbum todo requer um certo número de audições para ser efetivamente entendido e aproveitado, mas em geral é interessante logo na primeira audição.

Se Black Holes and Revelations trouxe uma certa mudança no som da banda (mais voltado para o estilo do Queen, por exemplo), The Resistance vai mais longe, principalmente na eletrônica e impecável Undisclosed Desires e na clara homenagem ao Queen em United States of Eurasia. O som da banda é provavelmente o melhor já gravado em sua discografia. A guitarra, o piano e a voz de Matt Bellamy soam totalmente em forma e evoluídos. O baixo de Chris Wolstenholme está ainda mais certeiro e indispensável. A bateria e a percussão de Dominic Howard têm um som viajante de tão bem feito. Perfeito.

Uprising abre a nova obra-prima com um som pulsante de teclado, baixo e bateria. Os riffs de Matt casam perfeitamente com a letra, claramente contra monopólios econômicos, e o vocal criativo. O solo aqui é de uma harmonia e melodia incomparáveis.

Resistance começa silenciosa, fica densa e abre espaço para um piano lindíssimo. Falando sobre um mundo onde não há amor como máxima, o trio clama pela resistência encontrada nesse fiel sentimento. Guitarras afiadas, bateria cortantes, baixo vibrante, tudo para cair no melhor refrão do disco. Impossível não viciar com "it could be wrong, could be wrong" que acompanha o riff de guitarra. Esses caras são de outro planeta.

Undisclosed Desires é outra bela canção de amor. Eletrônica, inovadora, delicada, brilhante. Pode levar algum tempo para se acostumar com ela, mas tão logo isso aconteça, não há como não mergulhar no seu espírito belo e confortante. Triste e alegre ao mesmo tempo, como só os gênios conseguem ser e fazer. Uma surpresa indispensável e uma das 5 melhores músicas da banda entre os três últimos álbuns.

United States Of Eurasia (+ Collateral Damage) - é esse o nome completo dela - é clássica, no sentido erudito da coisa. Piano lembrando Queen, voz característica de Matt. Nada melhor para tratar de um assunto tão interessante quanto a possibilidade de a Europa se unir à Ásia num mundo tão caótico. Todo o instrumental aqui é inteligente e bem arranjado. O coral cantando"Asia, Asia, Asia" é tão Queen quanto os licks de guitara aqui presentes. Ao fim da música, Matt executa uma impecável releitura de Nocturne in E Flat Major de Frédéric Chopin. Lindo.

Guiding Light tem uma letra bonita e um solo interessante de guitarra. O instrumental traz um ar denso para o ambiente. Bateria soando pesada, baixo soando triste. É uma canção muito bela.

Unnatural Selection é uma porrada. Começa calminha, lembrando Thoughts of A Dying Atheist BEEEM de longe, logo dando lugar a um dos melhores riffs de Matt. É pesada e empolgante. Seu refrão também marca, assim como a quebradeira instrumental dos últimos 27 segundos da música.

MK Ultra é uma experiência secreta do governo dos EUA extremamente polêmica. Não cabe a mim explicar o ocorrido, você, como bom nerd e internauta, pode pesquisar sobre. O que importa aqui é a letra genial escrita por Bellamy (adoro a parte de "all of history deleted with one stroke") e o instrumental extremamente criativo da banda. No final, há mais uma quebradeira ao estilo de Unnatural Selection, o que me leva a imaginar que ambas as músicas são como irmãs. Perfeitas, uma vez que se completam.

I Belong To You (+Mon cœur s'ouvre à ta voix) - sim, de Samson and Delilah - é brilhante. Outra letra genial é musicada por um piano inteligentíssimo e uma "cozinha" bastante jazzy. Meu destaque vai para a parte em que Matt canta "you are my muuuu -", faz uma releitura de Mon cœur s'ouvre à ta voix e volta à canção original com "-seeee". Batam palmas, caros mortais. E ah, que belo solo de clarineta...

Ao fim, vem Exogenesis: Symphony, a gigantesca obra-prima intergaláctica do Muse. É um total e delirante-absoluto (?) space rock, incrivelmente bem composto. As três partes (Exogenesis: Symphony part 1 - Overture; part 2 - Cross-Pollination; part 3 - Redemption) são quase como uma 2112 do Rush, mas totalmente Muse. É impossível descrever a história contada nessa enorme aventura espacial em forma de música. Só o trabalho e a arte dessa música valem o álbum todo.

The Resistance parece um álbum saído de 3249, tal como Kid A do Radiohead (sem comparações estúpidas, por favor), provando que é preciso desconfiar se Matt, Chris e Dominic são mesmo seres humanos e não aliens vindos do futuro. E ah, escrevi o nome dos três porque não é apenas o Matthew que merece atenção: todos os três rapazes são brilhantes músicos!

Com uma discografia impecável, shows monstruosos, letras inteligentes, músicas cerebrais e loucuras brilhantes, Muse logo dominará o mundo!
Quem mais está ansioso pelo próximo trabalho do trio? Eu estou, de verdade. E não tenho medo, os rapazes sabem SEMPRE o próximo passo que devem dar. E seja na época em que cogumelos davam em Plug In Baby ou quando questões políticas e espaciais faziam Undisclosed Desires
ser concebida, a obra do Muse é mais do que música. É arte, é vida, é magia.
Take a Bow.

nota: 10 de 10

"How's it going, Wembley?"

segunda-feira, 30 de agosto de 2010


É dispensável dizer que as músicas do Muse ficam melhores ao vivo, afinal, a fama e seus shows grandiosos e viciantes vem de longa data. Logo, um álbum ao vivo é sempre bem-vindo.

HAARP foi gravado durante a turnê do maravilhoso Black Holes and Revelations, em dois dias (16 e 17 de junho de 2007) em Londres, na Inglaterra, no famoso estádio de Wembley. O primeiro dia foi usado para o CD e o segundo para o DVD, sendo que cada uma das apresentações foi impecável e completam-se.

O CD tem algumas músicas presentes no show que foi usado para o DVD, apesar de possuir menos canções. Micro-Cuts é a única música tocada nesse dia e que não foi executada no show do dia seguinte. Para compensar, o dia 17 teve, obviamente, um show maior, com músicas como Hoodoo e a indispensável Plug In Baby. Os dois shows são recheados de improvisos e "brincadeiras musicais" da banda, hipnotizando qualquer um que tenha assistido a eles.

Cada uma das músicas foi bem escolhida e muito bem executada ao vivo. O público de 180 mil pessoas não deixa a desejar, se empolgando demais e certamente muito feliz e "bobo" com a apresentação da banda. Muitas músicas animadas, com direito a rodinhas, são tocadas, assim como músicas mais tranquilas, para dar uma brecha para o público respirar.
É interessante ver como cada um dos três músicos do grupo (e os músicos de turnê/palco também) toca e interage com a audiência.

Butterflies And Hurricanes (aqui com um solo mindblowing ao extremo de Bellamy), Plug In Baby, Starlight, Knights of Cydonia, Supermassive Black Hole, Hysteria, Time is Running Out, Feeling Good e Take a Bow são os maiores destaques do álbum. Vale lembrar que, mesmo que eu tenha destacado essas músicas, o conjunto da obra em si é um destaque.
Algumas coisas extra-musicais se fazem interessantíssimas as well, como a bizarra calça verde de Dominic Howard, as caras e o megafone de Matt Bellamy (em Feeling Good), o estilo "headbanging" de Chris Wolstenholme, o belo palco, as guitarras lindas e estranhas de Matt e também seu piano (de marca... Kawai o_o) <-nerds/otakus entenderão.

Concluindo: Muse fica MELHOR AINDA ao vivo.

Nota: 10 de 10.

http://www.youtube.com/watch?v=YDsLKEado_o&ob=av2n Butterflies and Hurricanes =D
só o link porque, pra variar, a incorporação foi desativada mediante solicitação >_>

"Our hopes and expectations, black holes and revelations"

segunda-feira, 23 de agosto de 2010



Depois de atingirem um imenso sucesso com Absolution, os britânicos do Muse poderiam não saber mais para onde ir. Poderiam, pois em se tratando desses três jovens incrivelmente talentosos, o limite parece algo que não existe. Black Holes and Revelations, lançado em Julho de 2006, é o quarto álbum do trio e mostra o quanto a banda sabe dar "o próximo passo". Vem recheado de músicas excelentes e não há uma faixa sequer que não mereça destaque ou atenção. Os temas abordados aqui variam bastante (amor, conspirações na Nova Ordem Internacional, política, revolta, guerras injustificadas etc.) e casam perfeitamente com todos os arranjos saídos da cabeça de Matt Bellamy (guitarra, piano, vocal) e companhia. O álbum vendeu muito (mais até do que Absolution) e mereceu seus discos de platina e demais premiações. Não há como não se impressionar com canções do naipe de Starlight, Invincible, Exo-Politics, Knights of Cydonia e, claro, Supermassive Black Hole.

Uma curiosidade interessante sobre BH&R é que ele teve suas gravações divididas entre dois lugares, como Absolution - gravaram parte na França, em um lugar tranquilo e que permitiu a liberdade criativa, e parte em NovaYork, nos EUA - e diferente deste, foi gravado num ambiente bastante relaxante, sem todo o estresse que tanto atrapalhou os rapazes na concepção do clássico de 2003.

Take a Bow abre o disco surpreendentemente bem. Seu ar tecnológico e a voz calma de Bellamy no começo, dizendo "Corrupt, you corrupt and bring corruption to all that you touch", são surpresas agradáveis. A música fica pesada após um tempo, trazendo riffs bem colocados e todo um instrumental inteligente. Perfeita abertura para um álbum do Muse, principalmente depois de três discos que abrem com músicas de estruturas parecidas.

Starlight é uma música linda que trata do amor e de coisas da vida. Mostra-se um dos maiores clássicos da banda. O refrão tem uma atmosfera magicamente viciante e marca logo na primeira audição. Como já disse, é linda.

Supermassive Black Hole é dançante. Impossível não querer dançar ou simplesmente balançar o corpo conforme as vibrações da música chegam ao ouvido. Matt compôs um riff de guitarra impossível de não se reconhecer. Chris Wolstenholme (baixo, back vocals) e Dominic Howard (bateria, percussão) fizeram um casamento perfeito entre baixo e bateria nessa música. E os vocais são impressionantes. Como Dominic diz sobre o álbum: "tem alguns dos vocais mais incríveis que já vi Matt fazer".
Supermassive tem um clipe muito bem feito e também está presente no filme Twilight, numa cena interessante em que os personagens estão jogando beisebol.

Map Of The Problematique é bastante futurista e seu instrumental mostra muito bem isso. O refrão é arrasador, as ideias do instrumental idem.
Soldier's Poem é curta, bonita e relaxante assim como a música seguinte, Invincible. Aliás, esta é uma canção maravilhosa sobre amor, mas, bom, é muito mais do que isso. É maravilhosa porque permite uma interpretação além do sentido romântico que vêm à cabeça quando se observa a letra sem preocupação. Fora todo esse aspecto temático, a música é bela em todos os seus arranjos e no genial solo de guitarra.

Assassin faz a "quebradeira" voltar para o disco. Dominic Howard está incrível aqui, assim como Matt, que traz licks e riffs de guitarra irretocáveis (aliás, a música está presente no Guitar Hero 4) e Chris continua detonando no baixo.

Exo-Politics tem outro riff inacreditável, bem como a letra e os arranjos. Seu refrão é bastante criativo. O solo completa a perfeição que é o riff principal da música.
City Of Delusion me lembra um pouco Dark Shines, mas seu refrão é ainda melhor do que o dela. Outra música pesada e animada, para se ouvir no volume máximo.

Hoodoo é brilhante tanto tocada na guitarra quanto no piano quanto em qualquer lugar (Matt costuma tocá-la no piano quando a executa nos shows). Parabéns para o Matt e sua capacidade incrível de composição!
Para fechar, Knights of Cydonia, que é o maior destaque do disco. É uma homenagem incrível feita para Telstar, primeira música de um grupo britânico a atingir o número um nos EUA. E mais incrível ainda: ela é do The Tornados, banda em que o pai de Matt, George Bellamy, tocava guitarra. Knights of Cydonia é dinâmica, maluca, criativa, está no Guitar Hero 3, é genial e tem um clipe tão doido quanto a música propriamente dita. Sem mais.

Black Holes And Revelations é um trabalho perfeito. Genialmente bem produzido, composto, escrito e concebido. Com ele, Muse começa a dominar o mundo interior e único de cada pessoa que se apaixona pela banda.
A banda ficou feliz com ele. Os fãs ficaram felizes com ele. O mundo ficou feliz com ele.
E ainda nem comecei a falar da turnê estupenda que a banda fez para promovê-lo. E ah, eles esgotaram dois dias no Wembley.
Pare de ler isso e vá ouvir esse álbum com atenção!

Nota: 10 de 10

Ah, para comemorar, aí vai o clipe de Knights of Cydonia ^^
http://www.youtube.com/watch?v=Q3Yc3HhSl1Q&feature=related (tive que colocar o link, já que a "incorporação foi desativada mediante solicitação" @_@)

P.S: desculpem, esse review ficou ruim ^^'

"Give me your heart and your soul"

segunda-feira, 16 de agosto de 2010


Absolution é o terceiro álbum de estúdio do Muse, lançado em setembro de 2003 no Reino Unido. Sucede Origin of Simmetry de forma impecável - e das músicas apresentadas aqui, duas tornaram-se as primeiras da banda a atingir o Top 10 americano (Time Is Running Out e Hysteria) - e é, sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns da década e talvez o melhor da banda (difícil decidir entre esse Absolution e o álbum anterior).

Foi um trabalho difícil de fazer. Matt Bellamy (guitarra, vocal, piano), Dominic Howard (bateria, percussão) e Chris Wolstenholme (baixo, backing vocal) contaram com a produção de Rich Costey - produtor de bandas como Franz Ferdinand, Rage Against The Machine, Nine Inch Nails, Weezer, System of A Down e Interpol, por exemplo - e dividiram as gravações entre Los Angeles e Londres. A banda decidiu gastar mais tempo na concepção do álbum, dando mais atenção a diversos aspectos das músicas, dos sons e das letras.
Foi tão trabalhoso que Matt teve pesadelos por causa do estresse na época, pesadelos onde era pendurado de cabeça para baixo e espancado. Mas valeu a pena.

Absolution é um álbum de extremos. Enquanto a maioria das músicas é pesada, a quantidade restante (que é um número grande também) é bastante tranquila, leve, relaxante. Trata-se de um trabalho extenso (14 músicas), com letras muito boas, instrumental fantástico de todo o trio (e também da orquestra que participa na belíssima Blackout) e uma capa brilhante.

Apocalypse Please é precedida por uma pequena introdução, com o som de uma marcha que logo dá lugar ao piano pulsante do principal compositor do trio. Uma música inteligente, com refrão marcante, dinâmica e de execução irretocável. Uma escolha certeira para abrir esse álbum apocalíptico e absoluto. A banda sabe fazer o trabalho que exerce.

Time Is Running Out é linda. Uma obra-prima sem limites. Começa com o baixo sempre bem destacado de Chris, que continua certeiro quando Matt entra com seu vocal impressionante. Vem um riff incrível, desembocando num dos maiores refrões já escritos por uma banda de rock. Grandiosa, continua com um instrumental magnífico - que só o trio tem - e pela letra inteligente. Só essa já faz o álbum vale a pena. Bateria, guitarra, baixo, vocal... tudo aqui tem um quê de obra divina. They are our gods.

Sing For Absolution começa calma, piano belo. Voz bonita, bateria e baixo perfeitos. Guitarra tocando acordes bem escolhidos. Letra, mais uma vez, escrita de maneira impecável. Entra aquele grito emocionante... passa o solo de um verdadeiro gênio. É, os caras sabem aonde querem chegar... acertam todas!

Stockholm Syndrome é pesada. Seu riff quase metal é uma antiga ideia de Matt. A música é empolgante, o peso faz com que "rodinhas" se formem nos shows. Uma das melhores da banda, indispensável.

Falling Away With You é uma balada muito bonita. Tem a atmosfera bem "cabeça" de todo o álbum. É tão linda que se torna difícil entender por que é a única música que a banda ainda não tocou ao vivo... é, deve dar trabalho mesmo. Ela termina com um som distorcido de guitarra...

...som que continua em Interlude... um pequeno interlúdio (ah, vá!? u_u) que abre caminho para o riff de baixo preferido de todos os fãs da banda. Preferido porque ele inicia Hysteria, uma das mais empolgantes músicas já criadas pelo trio britânico. Ótimo riff, ótimo refrão, ótimo instrumental, ótimo... PERFEITO solo. "'Cause I want it now I want it now. Give me your heart and your soul ...And I'm breaking down, I'm breaking out. Last chance to lose control"... e que solo...

Blackout abaixa os decibéis por um instante. É calma, bonita, orquestral, gostosa de se ouvir. Matt melhora muito suas composições a cada disco que passa.
Butterflies And Hurricanes é apocalíptica como todo o álbum. Considero-a a música mais bem composta entre os três primeiros cds do grupo. Vale a pena ouvir, prestar atenção na letra e pensar. E também vale a pena esquecer tudo e simplesmente ouvir as ótimas partes dessa música.
The Small Print traz aquele riff de guitarra que todo mundo acha foda. É uma música de andamento rápido, bastante rocker. Refrão pesado, faz com que se queira pular sem parar.

As três últimas músicas seguem desta forma: Endlessly é calma e bonita. Inovadora na carreira da banda, diferente e bem feita. Thoughts Of A Dying Atheist é um nome que Matt queria usar em Origin of Simmetry, mas não usou. Aqui ela dá nome a uma canção com riffs irretocáveis e um refrão tão bom quanto o de Time Is Running Out. Linda. Ruled By Secrecy fecha essa obra-prima em forma de álbum musical com uma composição de piano que só Matt sabe fazer. Ele é o mestre do piano, sim.

Absolution é basicamente isso. Pode ser um álbum que requeira um certo número de audições para ser totalmente entendido (afinal, são 14 músicas). Mas de uma forma ou de outra, o resultado é único: é uma das melhores coisas já feitas pela capacidade humana!
Origin Of Symmetry que se cuide!

Nota: 10 de 10.
 
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